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terça-feira, 27 de abril de 2010

A tocha de Dionísio ou o encontro da espera de Godot

O ensaio hoje foi desgastante, intenso e revelador. Talvez a dita tocha de Dionísio tenha se acendido ao meu lado e penso ter encontrado a espera de Godot.
Estaremos as quatro atrizes esperando por Godot, de fato, realmente, Esperando Godot, não um cara, não uma pessoa, não a morte, mas a peça de Samuel Beckett, a peça Esperando Godot.
Hoje tive essa certeza, ela não chegará nunca mas a tentativa de faze-la chegar será imensa e insistente.

Samuel Beckett privou os personagens Estragon e Vladimir de encontrarem Godot aprisionando-os a uma espera eterna e insaciável. Diogo Liberano privou suas atrizes de encontrarem Godot aprisionando-as a um corpo feminino, jovial e saudável. É. Estamos no mesmo barco, não dá pra saber quem está mais fudido.
Ai que alívio. encontro Godot para então esperar Godot, afinal, quem alcança sempre espera.

Um comentário:

Diogo Liberano disse...

conversamos um pouco no ensaio. estou intrigado com esse diogo liberano privou suas atrizes.. não sei. acho que é pior, porque juntos escolhemos este embate com o impossível. não? escolhemos fazer um teatro que não poderíamos, usando seu argumento, porque de cara vocês são mulheres. ok. mas escolhemos esse embate. e além de ser mulher, o que temos - acredito - é a busca a vontade o esforço o desejo de encontrar este GODOT - esta encenação - que nunca parecerá desejo saciado, porque ao alcançar já se perde e de novo se volta a desejar... é isso? estamos fadados a chegar e partir? me clareia? como isso se traduz em concretude?