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terça-feira, 25 de maio de 2010

Vamos lá

Ensaio de sexta-feira dia 21/05

O ensaio desse dia foi muito instigante pra mim. Acho que Carolê abriu um bom canal quando nos disse que esse espetáculo tem como público alvo (ou talvez como público possível) adolescentes, um espetáculo infanto-juvenil, num primeiro momento me deparei com uma certo preconceito quanto a esse tipo de abordagem, mas logo em seguida percebi que de fato adoraria fazer uma peça para esse público, seria um desafio e ao mesmo tempo um alívio.

Alívio porque cada vez mais entendo que o lugar desse nosso espetáculo é o da diversão, a brincadeira de representar, a ludicidade do jogo, a tosquice no que ela tem de melhor e digo de melhor porque sem julgamentos, sem pudores, sem certo e errado. Atingir um público adolescente e jovem por essa via torna nossa trajetória muito rica.

A escrita de Beckett sendo encendada por quatro mulheres na faixa etária que nos encontramos não poderia ser outra coisa. não adianta, não vamos levar esses espetáculo a sério. E não levar a sério não significa que a dor de existir não estará presente, pelo contrário, a dificuldade, o árido, a estranheza estarão ali, mas sempre acompanhados de bom humor, risos e alegrias. E isso é o que Becktt faz de melhor com seus textos: falar da angustia sem nos deixar angustiados.

Com tudo isso na cabeça fomos para a parte prática. Diogo nos conduziu muito bem para o jogo das raias, com muita sensibilidade pontuava coisas precisas e deixou que persistissemos no jogo por muito tempo. Uma sensação engraçada de criança adulta entre o bobo e o malicioso surgiu em mim durante o exercício e senti a mesma coisa com as outras meninas. Passamos então a nos relacionar por essa via e foi uma das experiências mais encantadoras que tivemos. O que Diogo disse durante o jogo nos levou para esse lugar mas não me recordo exatamente o que foi por ele pedido. Gostaria de me lembrar....

Depois das raias veio a improvisação, haviam muitos dispositivos espalhados em cima da mesa e o meu canal criança estava tão aberto que fui logo esparrramando tudo no chão, abrindo caixas e profanando objetos. Não sabia o que fazia mas estava fazendo. Explorei espaços, portas, saídas e chegadas. Adassa brincou com o gato de pelúcia transformando-o em Pozzo. Fabíola em cima da cadeira tentava se fazer presente, tentava existir com uma folha de papel completamente tomada pela palavra Quáquá, Carolê de botas e joelheiras buscava o jogo com delicadeza e cuidado.

Um dia muito revelador pra mim.

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