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sábado, 29 de maio de 2010

diálogo através da arte.

como se constrói uma peça?

se constrói uma peça?

como uma peça se constrói?

uma peça se constrói?

piscator brincava de anagramas.

brecht de distanciamento.

meyerhold de biomecânica.

e grotowski?

num dia desses eu sonhei que a peça falava comigo em sonho. ela me gritou, eu juro, EU NÃO QUERO SER LIDA DE IMEDIATO. ok, certo, eu compreendo, achei lúdico, aceitei, tá jóia, mas assim, sendo bem sincero, pode mostrar pelo menos a perninha, dar uma luz e apagar, aparecer a margarida e de novo se esconder, pode ser? é que tudo o que eu tinha eu percebi que não serve.

nada serve de pronto quando nos permitimos amar o novo.

ou o horror. ou a sutileza. o sorriso. a estranheza. nada de pré-fabricado dura muito no recreio que é o ensaio.

se beckett se revira em seu túmulo? é o que lhe pergunto. pelo menos ele tem limites.

a gente tá dentro de um vp aberto. buscando um corpo para se chocar e brilhar sentidos.

e olha, eu devo dizer, está sendo bom, está sendo vivo. eu estou acompanhando.

e então? por que sofres?

se eu sofro? por que sofres, tu, alma infeliz?

não.

niilista,

não!

becketiano!

NÃO! BECKETT É PURA ALEGRIA. GENTE, ME AJUDA. QUEM FOI QUE INVENTOU ESSA ANGÚSTIA TODA? ISSO É ROMANCE SOB O NOME TEORIA. PAREM! BECKETT NOS DEU A PROVA MAIOR DO ESTÚPIDO OTIMISMO NOSSO DE CADA DIA. AQUELE QUE NOS FAZ ACORDAR, VER A MERDA QUE É A VIDA EM CERTOS DIAS, E MESMO ASSIM, ARRANJAR UM PRETEXTO QUALQUER PARA SEGUIR.

ISSO É LINDO. ISSO DÁ UMA PUTA COMÉDIA.

DAQUELAS QUE A GENTE CHORA DE TANTO RIR.

que foi?

você está falando com quem?

com você?

comigo?

com você. não estou? estou. com você. não?

não.

sim.

sim.

e então?

que foi?

fala alguma coisa!

fala!

eu disse.

repete!

ah! fala!

eu disse! olhe!

ah?

(escreve a palavra silêncio via gestual dos mudos tipo lucky)

que porra é essa?

eu disse silêncio.

não ouvi.

você acha que tudo o que é dito é para se escutar?

NÃO FODE!

acha que tudo o que é ouvido dá para se dizer?

QUE PAPO É ESSE?

você quem começou.

sim. eu quem comecei.

viu?

o quê?

você não percebe as coisas que está criando.

que coisas?

o redor está cheio delas…

não fale assim dessa maneira tão ingrata.

é verdade! e eu quero que você faça uma retratação!

o quê?

UMA RETRATAÇÃO! MANDE UM E-MAIL PARA TODOS OS ENVOLVIDOS NESTE PROJETO E PEÇA DESCULPAS. DIZENDO QUE SIM, FINALMENTE, A LUZ DA VERDADE O CLAREOU E VOCÊ SE PERCEBEU ERRADO. UM EQUÍVOCO AMBULANTE. QUE GODOT NÃO É PARA O SEU TACO E QUE – SINCERAMENTE – UM ELENCO DE MULHERES, POR FAVOR!!!!!!!!!!!!!!!!!

escroto.

o que foi?

eu paro com essa palhaçada agora, tá ouvindo?!

NÃO PELO AMOR DE DEUS VOCÊ NÃO PODE!!!!!!!!!!!

então por que tá enchendo a porra do saco?!

para te ajudar a se ouvir.

sim, pois não, o que é, como?

para te ajudar a se ouvir a si mesmo.

ah!

ouviste?

sim.

viste?

também.

e então?

eu xingo muito.

é fachada.

é. fachada.

e agora?

e agora o quê?

o que a gente faz?

eu não vou me retratar.

ainda bem.

por quê?

seria preciso morrer. como milhões de outros.

que outros?

digita no google.

o quê?

desesperandogodot.blogspot.com

e daí?

daí verás…

verei o quê?

como o ser humano é capaz de imprimir sentido em toda e qualquer tolice.

ainda há tempo. faça, ao menos, então, a melhor tolice da sua vida.

voltarei em breve. para conversamos de novo. veja se dá próxima vez, tu me serves um café.

você tá louco.

ah, eu não conto! queria ver se fosse com você!

enfim…

voltarei. mesmo.

por favor, mesmo que não seja verdade.

Um comentário:

Flávia Naves "O caos reina, oba!" disse...

Semestre que vem vamos fazer Esperando Godot parte 2. autor: Diogo Liberano. você vai ficar me devendo essa....