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domingo, 9 de maio de 2010

Ensaio #14

Cia. dos Atores – 05/05/2010 – 13h às 17h.
Diogo, Carolline, Flávia, Adassa, Fabíola e Verônica.

Trabalho incessante de improvisação a partir do Quinto Movimento estudado no ensaio anterior. As atrizes deveriam chegar com o texto decorado ou minimamente estudado. Começamos uma improvisação aberta, um grande jogo de viewpoints sobre o texto de Beckett, às 13h40 e encerramos o mesmo exatamente às 15h40. Duas horas de intensa investigação e de inúmeras proposições. Cansaço real, persistência, despudoramento. Levamos muitos dispositivos: cordas, luminária, extensão elétrica, camisinha, cenoura, beringela, livros, máquina fotográfica, bola de basquete, meia-calça, tênis, tecidos, esparadrapo, bolsa, gravata…

Em seguida, as meninas trabalharam com a preparadora vocal, Verônica Machado. Ao término do ensaio, conversamos bastante e percebemos como a lógica absurda tinha muita força para se tornar uma lógica real. Talvez porque, especulo agora, houve uma dilatação, tudo o que era proposto se gastava muito no tempo, na repetição. As atrizes receberam apenas uma regra: deveriam falar apenas o texto referente ao quinto movimento (cerca de duas folhas e meia de texto). Esse limite gerou a expansão. Esse limite provocou erros, acertos e mais que erros ou acertos, produziu tentativas. Vimos tentativas de boicote, mas ainda assim era inevitável constatar: elas estavam vivas e presentes. Estavam com os pés cravados no agora. No agora, enterradas.

Não colocarei no blog uma listagem do que foi produzido. As atrizes já selecionarm aquilo que de certa forma as marcou. No próximo ensaio fecharemos um esboço de cena a partir de tudo o que foi experimentado. Alguma reflexão sobre a montagem das cenas. Estes ensaios articulam três conceitos-chaves: imagem, jogo e metalinguagem.

IMAGEM. é a escrita cênica. é o artifício o meio o objeto. é a fuga aparente do real. fuga não como quem foge e não vê. mas como saída mesmo, como distanciamento necessário para enxergar a vida com a crueza de sua complexidade.

JOGO. meio para multiplicação dos pontos de vista. sob quais outros ângulos podemos ver o mesmo? relativização das certezas. o jogo como cena. a cena como uma sucessão de vivências expostas dos jogos.

METALINGUAGEM. as atrizes numa busca pela cena. a cena como parte constituinte do nosso espetáculo. o desejo de encontrar a cena no espectador. de encontrar o personagen, a cor a duração, a intensidade, encontrar o gesto. o desejo do encontro. do ser atriz.

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