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domingo, 16 de maio de 2010

Pesquisando....

A amiga e querida Brunella Provvidente assumiu os figurinos de ESPERANDO GODOT. Tivemos um primeiro encontro, apenas eu e ela, neste sábado. Tentei em linhas – não tão rápidas – revelar o processo e os caminhos nos quais e pelos quais nos perdemos e/ou estamos indo nos perder. Nossa. Não sei conjugar tantos tempos verbais. Portanto, presente. Falo de que se trata de quatro atrizes numa sala de ensaio. Revelo a minha implicância com uma primeira abordagem metalinguística do assunto, eu costumo dizer, ver uma atriz mexendo no refletor não quer dizer metalinguagem. A Brunella diz que sim. Ela está certa. Mas eu quero um pouco mais adiante. Pensar em mais camadas. Em deixar sugerido que ali haveria um gesto que não veio, mas que por não vir já sinaliza a sua presença. Estamos falando do comum, do gesto inconsciente, daquele movimento que todos sabem que vamos fazer. Mas vamos? Acho que não. Acho que em muitos momentos o que pode haver é apenas a sugestão que não se concretiza. Há caminhos outros, vários outros.

Então falamos dos vagabundos. Dessa leitura de Vladimir e Estragon onde os dois são vagabundos, quase mendigos. Dos figurinos acabados, rasgados, mas tudo fingindo ser rasgado e acabado e sujo e enfim… ARTIFÍCIO. Isso me cansa também. Onde está o ser vagabundo? Na vestimenta ou no interior? É um espírito vagabundo ou uma roupa, uma caracterização? Enfim, eu fico pensando que temos a chance de inverter o olhar, de relativizar certezas – sim, por isso o uso dos VIEWPOINTS – para vermos por outros ângulos que certas verdades são apenas mais verdades no imenso rol de verdades possíveis. Essência. O que está dentro? O que esses caras trazem dentro que esta roupa do exterior é (in)capaz de conter? Eu queria ver o vazamento. Eu queria ver algo escorrendo. Eu queria ver o que não está ali, a princípio, mas que vai brotando. A maquiagem que se vai, se vai se desprendendo, se formando no próprio rosto feito corredeira enegrecida, máscara impossível de durar ante o ato físico pelo qual as atrizes tentam ler o mundo (que seja o da cena).

imagina, as quatro ali completamente montadas à espera de GODOT?

Sobretudo, as propostas de INDUMENTÁRIA, de CENOGRAFIA, de ILUMINAÇÃO, elas possuem qual função dentro desse espetáculo? O que elas estão querendo trazer? Que questão querem colocar? Que não-questão querem ser? É preciso um encontro entre tais dispositivos cênicos através do qual conseguiremos – depois de alguns testes – dizer: cada dispositivo serve nesse sentido para fazer GODOT aparecer. Ou. Cada dispositivo dificulta desta forma o encontro com GODOT. Porque encontrar GODOT talvez não seja a melhor saída.

Na última quarta-feira (12/05), depois do ensaio, tive um encontro delicioso com todos os queridos da CENOGRAFIA. O Rafael Medeiros assinando o cenário e, além dele, a Clarissa Campello e o Flávio Bassan, como assistentes de cenografia. Foi um excelente encontro. Trocamos já várias possibilidades. Entreguei a eles as plantas baixas que as atrizes haviam desenhado num determinado ensaio. Levei-os para conhecer a Sala Vianinha, para dar uma sentida no espaço. Falamos sobre a possibilidade de o cenário boicotar as meninas o tempo inteiro. E percebemos ser esta uma primeiro possibilidade. Ainda é preciso investigar muito.

Portanto, aqui resta a pergunta para cada equipe:

O QUE A SUA PROPOSTA DE CENÁRIO/FIGURINO PROVOCA NESTA TENTATIVA DE ENCONTRO COM ESPERANDO GODOT? Bom, se as quatro atrizes estão tentando encontrar GODOT (e aqui, neste caso, GODOT é unicamente a encenação que estamos construindo), de que forma o trabalho cenográfico e de indumentária intervém nesse caminho? Com quais qualidades, provocações, em que intensidade? Objetivando o quê? Buscando algo mais? Humm… É preciso ralar.

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