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quinta-feira, 18 de março de 2010

sobre naufrágios e angústias...


“Há muitas abordagens sobre a relação entre o palco e o público. Para Artaud, o ator é a vítima condenada à fogueira que acena desesperadamente através das chamas. Para Grotowski, o ator é um mártir com quem o espectador não pode presumir identificar-se; ele pode apenas testemunhar com terror uma coragem heróica e o sacrifício que lhe é oferecido de presente. Samuel Beckett uma vez confidenciou-me que, para ele, uma peça era como um navio que afundava não muito longe da costa, enquanto o público, incapaz de ajudar, observa dos penhascos os passageiros a se afogarem gesticulando”.

BROOK, Peter. Fios do Tempo.

“É o pensamento freudiano sobre a teoria da angústia que nos vai permitir desdobrar esta afirmação: o indizível é a angústia. Há algo fora do plano do dizível e, portanto, da palavra, que é significativo e que se expressa no próprio limite da palavra. Ou seja: a indizível angústia é efeito que indica a verdade do desejo que não pode ser dita no plano da consciência, justo porque mostra o estatuto de parcialidade da verdade, deixando entre-ver e entre-dizer o espaço de ignorância e o desconhecimento, intervalo do que não pode ser dito, e que denuncia a falta no saber”.

“Sustentamos que a angústia é sinal da dor da ausência de objeto, ou, ainda, sinal da dor da incompletude. A angústia adquire, assim, o estatuto de mediadora entre a atividade simbólica e o real da Coisa, oferecendo-se como efeito de verdade parcial do desejo. Ou seja, no lugar de um nada absoluto surge a angústia, como sinal do vazio, da ausência de objeto, que mobilzia uma busca de significação”.

FRANÇA, Maria Inês. Psicanálise, Estética e Ética do Desejo.

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