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sexta-feira, 11 de junho de 2010

um primeiro esboço

Agora o principal está feito. Detenho algumas evidencias de que não posso me separar. O que sei, o que está certo, o que não posso negar, o que não posso rejeitar, eis o que vale. Posso negar tudo nessa parte de mim que vive de nostalgias incertas, menos esse desejo de unidade, essa fome de resolver, essa exigência de clareza e coesão. Posso contrariar tudo nesse mundo que me envolve, me choca ou me transporta, menos esse caos, esse rei acaso e essa divina equivalência que nasce da anarquia. Não sei se esse mundo tem um sentido que o ultrapasse. Mas sei que não conheço esse sentido e que, por ora, me é impossível conhecê-lo. Que significa, para mim, significado fora da minha condição? Só tenho como compreender em termos humanos. O que toco, o que me resiste, eis o que compreendo. E essas duas certezas, meu apetite de absoluto e de unidade, e a irredutibilidade desse mundo a um princípio racional e razoável, sei também que não posso conciliá-las. Que outra verdade posso reconhecer sem mentir, sem fazer intervir uma esperança que não tenho e que nada significa nos limites da minha condição?

CAMUS, Albert. Em O Mito de Sísifo.

cabe antes de tudo dizer que os desenhos a seguir foram feitos sobre a planta da sala vianinha, onde acontecerão as apresentações. o que fiz foi desenhar uma composição de estruturas que estão povoando a minha cabeça e que me servem de imediato para a encenação. no entanto, todas elas precisam ser discutidas e problematizadas. adoraria descobrir o que sobra de tudo isso. o que sobra mesmo. aquilo que é essencial.

portanto, cenógrafos, destruam, por favor.

esboço.

palco italiano. frontalidade. profundidade. isso eu sabia desde o início. mas continuo – como desde o início – sem saber explicar muito bem o porquê. whatever. mentira. eu sei o porquê. não está óbvio? acho que a disposição teatral mais característica da noção de teatro que podemos evocar. estamos falando de teatro. o espaço me parece o mesmo. é esse. a questão é: como encontrar mobilidade dentro dessa estrutura?

esboço legenda. 

descrevi rapidamente o que é cada coisa dessa. algumas óbvias, outras mais ainda. não há necessidade de preencher o espaço. mas é legal pensar a tal “maquinaria” via composição, via acúmulo dessas partes evocando sempre novas configurações, novos cenários, novas disposições. acho legal também observar que o número quatro se repete muitas vezes. e que o jogo das atrizes 3:1 (3 coisas num registro e 1 coisa noutro registro diferente) pode ser extendido à cenografia.

e ainda haverão os objetos. falamos disso ao vivo. e a iluminação… tudo isso falamos já já.

queridos da equipe de cenografia, é um convite à guerra! vamos nos desautorizar. eu vou amar.

bjos,,
diogo

Um comentário:

Flores no bigode disse...

Salve diretor. dig iow.