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domingo, 20 de junho de 2010

tentando PRIMEIRO

a nossa chegada virá pedindo desculpas. eu já escrevi isso aqui. mas não custa repetir. chegaremos apostando numa proposta que não vai vingar. GODOT não vem, mesmo que se tente seduzí-lo. ele não cede. perceberemos, num dado momento, que não estamos esperando esse tal Godot, esse cara Godot, esse o qual tentamos seduzir logo de cara com mulheres no salto e lindas e com tudo em cima. não. esse daí não virá mesmo. perceberemos que depois que as quatro chegarem, antes de abrirem a boca, será preciso dar a primeira pausa. a primeira pausa vem para que Godot chegue, para que ele aporte, aterrise, abre a porta. esperaremos alguns segundos, talvez um minuto inteiro, e será nesse primeiro silêncio, que – já sabemos - ele não virá. assim, de fato, partiremos para outras tentativas. e é nesse jogo da tentação que descobriremos outro Godot mais interessante do que aquele primeiro. sim, é preciso esperar com dignidade. mas esperar o quê, exatamente? esperar quem? nesse percurso da tentativa em jogo descobriremos que não estamos esperando o tal Godot. e uma delas dirá, sem dúvida, em um dado momento, que estamos esperando esperando godot. e então as coisas começarão a se encontrar. porque haverá um encontro potente, possível, ali entre nós e a platéia. há um corpo – nós – querendo encontrar o outro – a encenação de esperando godot. tentaremos, de fato, para conseguir e perder. para fazer sentido e não. para talvez conseguir dizer alguma coisa que se possa deixar gravada em você, que nos assiste.

- PRIMEIRO MOVIMENTO DE ESPERANDO GODOT -

“Nossas Desculpas”.

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