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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Lá vai!!!

Deus Deus Deus, ou seria Godot, Godot, Godot...o que será de você? O que será de nós?
Tanto a dizer, tanto a querer que nem sei.....
Começo: Por tudo que passamos, por tudo o que me envolveu durante todo esse processo de ensaio, por todas as maneiras de se viver que me atraem, eu fui dar nisso, na espera de Godot. Sim, estou sim esperando Godot, não sei quem é não sei o que é mas estou esperando, com convicção e ingenuidade. Convicta porque disseram que ele chegaria, ingênua porque acredito no que disseram. A parte de mim que espera por Godot é infantil e romântica e eu estou adorando conhecer essa parte.

Uma conversa na sala Vianinha da UFRJ no dia 21 de junho juntamente com a professora Lívia mudou o rumo das coisas, vimos que não era possível continuar com os ensaios da maneira como estávamos levando, era preciso parar, pensar, entender e finalmente constatar que a nossa montagem de Esperando Godot é tudo aquilo que somos e fomos. Ok. Entendi. Como agora me colocar dentro dessa nova configuração? Como me colocar no jogo sabendo que o espetáculo somos nós. NÓS COM TUDO O QUE SOMOS, COM TUDO O QUE FOMOS Então lá fui eu pensar no que somos, no que fomos e vi:
um diretor, quatro atrizes, a peça de Beckett, personagens, brincadeiras, cafonisses, desespero, alegria, tentativas, espetáculo, teatro, platéia, representação, metalinguagem, vida, vida e vida.

Estou doente.
descobri uma personagem-atriz-flávia-personagem-atriz que está me enlouquecendo... descobri um diretor-personagem-Diogo- diretor-personagem que está me provocando...
a metalinguagem surgiu de uma forma tão violenta que só me resta acatá-la e deixar rolar, não consigo parar....não consigo...e não porque não tenho controle dos meus impulsos, mas porque estou achando isso lindo, sim, estou mesmo achando lindo. De repente tudo fez sentido e parece que da forma mais bonita que poderia acontecer. O sentido que o espetáculo tem hoje pra mim, o sentido que fiz dele em mim, abarca tudo o que trabalhamos nesses três meses e meio de ensaio, envolve as coisas mais importantes e relevantes para nós que são: a metalinguagem e as brincadeiras de representação: esperamos por Godot...Godot demora a chegar, ok esperamos...enquanto esperamos o que faremos? Lemos, nos distraimos, brincamos, rimos, voltamos a nos lembrar que esperamos por Godot, esperamos, nos distraimos, brincamos, rimos....e assim por diante...é um ciclo, o ciclo da vida

E tudo isso entre a ficção e a realidade, entre o ingênuo e o malicioso, entre o puro e o depravado, entre a criança e o adulto, entre a atriz e a personagem...cada um leva a espera da forma que quiser e a nossa opção foi pela delícia e pela dor que só o encontro com a intensidade pode proporcionar. Existe a espera e o que é pior existe a consciência dessa espera, mas coexistindo com essa espera temos o inesperado, o acaso, temos alguma coisa “divina” que nos tira desse lugar árido e nos devolve à vida na sua forma mais pura, na sua forma mais divertida, trágica, inteira e necessária. Esperamos por Godot com dignidade ou melhor, com vontade, com força porque juntos somos fortes somos flecha e somos arco todos nós no mesmo barco não há nada pra temer!!

Acho que é isso..por enquanto...ufs!

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