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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Porque só hoje dou conta da minha insginificância. não é uma pergunta é uma afirmação mesmo. Clarisse Lispector pra mim não era insignificante assim como Beckett, assim como minha mãe, mas isso é pra mim, pra eles talvez fosse diferente. O que quero dizer é que as vezes essa certeza da nossa insignificância, essa certeza do nada se torna insuportável. Mas aí leio Beckett e penso: é isso mesmo. Não temos tanta importância assim. Estamos no mundo simplesmente porque não poderia ser diferente e seguimos à espera da morte, eternamente. simples assim. Não é ceticismo, não é niilismo, não é pessimismo, é só isso e não vai mudar nunca o que vai mudar é o seu humor e por ora você responderá que o copo está metade vazio e outra hora que está metade cheio. Meu copo agora está metade cheio, talvez graças ao copo metade vazio de Beckett, na vida é assim uns choram enquanto o outro ri e isso é lindo, de uma beleza trágica também acho mas confesso ser fascinada por tragédias. Quando vejo o personagem Nell em Fim de partida dizer: “nada é mais engraçado que a infelicidade” percebo que Beckett também gostava de tragédias, só que silenciosas, simples, pequenas. Pequenas tragédias....gostei disso. quero casar com Beckett.

Um comentário:

Diogo Liberano disse...

flavitcha,
isso é louco demais. pq ele pode ser lido sim como pessimista, niilista e pregador da desesperança. mas a questão é: qual é o movimento que fazemos a partir dessa des-estabilização? é o movimento seguinte que importa. é o terceiro ato.
e a nossa questão eh das mais nobres.
pegamos essa matéria solta ao vento - NOSSOS CORPOS - e dotamos de significância, de sentido, para que outros os vejam e lançem para si a possibilidade de ser sentido..

aiiii... quanta viagem boa!
beckett morreu. vc não vai casar com ele!
mas vamos louvá-lo.
profaná-lo.


bjo!