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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

produção-pós-guerra

                
bom, a analogia com os campos de concentração está se fazendo absurdamente explícita. a coisa com as botas, com a inevitabilidade da espera - eles estão presos -, tudo isso e mais uma série de outras coisas confirmam, sugerem esta possibilidade do pós-guerra.

me lembrou BENT, me fez pensar no porquê da árvore seca e esquálida, da pedra, dos nabos e cenouras, enfim... porém, e agora? o que a humanidade plantou nessa terra seca e contaminada que ela mesma fez surgir?

acho que talvez tenhamos plantado imagens e aparências e representações de tudo aquilo que havíamos destruído. o que criamos no decorrer dos anos da guerra foram tentativas escapes fugas válvulas e IMAGENS unicamente para nos afastar da aridez do real. investimos na fuga, não mais no embate, e sim no hábito e na resignação sobre qualquer forma de paz. paramos o olhar e o corpo por sobre a espera. e nisso, fizemos erguer uma paz imaginada. imaginária. feita de imagens e não de realidade. nem de toque nem de diálogo. a nossa paz hoje é teoria, é toda velada sagrada inatingível. é metáfora.

estamos fartos de imagens. não fartos de esgotados, mas fartos por estarmos sendo pelas imagens alimentados. fartos desse jogo auto-piedoso de se nutrir do que nos falta. de se nutrir pela imagem daquilo que nos faz falta. sim, é mesmo a falta que nos move. que nos move ao seu invólucro, ao seu simulacro. a falta que não veio está aqui, sempre esteve. estamos sobre ela falando, sobre ela fotografando filmando arquivando se deixando especular e se deixando deixar, a troco de quê? a troco da vaga sensação de completude. a troco da vaga sensação de saciedade.

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isso me diz que GODOT só precisa chegar, na verdade, porque talvez já tenha chegado. e outra vez mais de novo chegou outra vez. tem essa rapidez da chegada que tão rápida chega tão rápida se vai, se esvái. a nossa fome, o nosso esforço em construir uma imagem para dotar o real de sentido nos avassalou, nos pintou dessa tinta chamada EFICÁCIA e tudo se perdeu. perdemos os traços e tudo soa o mesmo quando não, quando na verdade não é a mesma coisa aquilo que desejo daquilo que poderia desejar. desejo tudo, mas tudo não se pode desejar.

isso me comprova, GODOT acabou de chegar. por esse processo de construção ininterrupta de imagens nós suprimimos a falta e asseguramos o GOZO. asseguramos a felicidade (e o que quer que ela possa ser). nós asseguramos toda e qualquer virtualidade e isso nos serve, porque já não temos parâmetro do real que nos diga: ei, esperem, vocês estão amando bonecas e plásticos quando na verdade deveriam amar as peles.

eu aqui querendo fazer GODOT chegar sem ao menos perceber que ele já chegou faz tempo. e que não há nada de revolucionário nisso.

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