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terça-feira, 13 de julho de 2010

Segunda \\

De fato eles tentarão alguma coisa. Do nada, o tema é a Bílblia. Lucky puxa uma conversa sobre os quatro evangelistas que viram dois ladrões serem crucificados lado a lado ao Salvador. Lucky explica com uma clareza total. As dúvidas que surgem se explicam. Lucky detém o poder da fala e sabe como usar, sabe como explicar. Ele aponta aquilo que julga ser absurdo, Todos os quatro evangelistas estavam lá. E só um evangelista fala em ladrão salvo. Por que acreditar nele evangelista e não nos outros evangelistas? E então cada um tentará dar a sua versão da mesma história. Quem segue é Vladimir que, usando-se dos corpos dos presentes, desenha o acontecimento ao vivo, mas confunde-se com sua explicação. Confunde os dois ladrões com dois evangelistas. Então Pozzo assume, tornando o acontecimento dos evangelistas numa história para crianças, desprovida da preocupação apontada por Lucky na primeira versão. Estragon, já que todos tiveram seu espaço para explicar, resolve explicar também… Mas se diverte sem tornar nada mais claro, pelo o contrário, Estragon se diverte transformando as palavras em espaços vazios de significado. CLAREAR O JOGO ENTRE ELAS. SÃO QUATRO TENTATIVAS PARA EXPLICAR UMA MESMA COISA. O QUE DETERMINA O INÍCIO DA MINHA TENTATIVA? O QUE DETERMINA A MINHA EXPLICAÇÃO? QUANDO É QUE CADA EXPLICAÇÃO COMEÇA A FICAR ININTELIGÍVEL? QUANDO É QUE A EXPLICAÇÃO SE PERDE DE SI MESMA? SE ESTÃO EM CENA COMO QUATRO ATRIZES TENTANDO ENTENDER AQUILO, ENTÃO, DEVEM ESTAR EM CENA COMO QUATRO ATRIZES TENTANDO EXPLICAR AQUILO. E NADA MAIS. DA PRIMEIRA PARA ESTA TENTATIVA, DEIXAM DE BRINCAR DE PERSONAGENS À ESPERA DE ALGUMA COISA E REVELAM O SER ATOR EMPACADO DIANTE UMA PRIMEIRA E QUALQUER INCOMPREENSÃO.

Todos os quatro estavam lá. Por que acreditar nele e não nos outros?
Quem acredita nele?
Pfuh.

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