\\ Pesquise no Blog

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Tudo a fazer...


Começo agora, de forma mais concentrada e ativa, a pensar neste próximo espetáculo. Será o meu segundo exercício de direção na faculdade de Direção Teatral da UFRJ. O primeiro, que se concluiu ontem, foi a montagem NÃO DOIS, a partir da obra de Eduardo Pavlovsky, PAS-DE-DEUX. (Para maiores informações sobre NÃO DOIS, acesse pdpdd.blogspot.com).

Como segundo exercício de direção teatral, devo fazer uma montagem de no máximo uma hora de duração. Além disso, devo me ater à montagem de um texto dramático, que não pode ser escrito por mim. Qualquer aventura que estiver flertando com reescritura da dramaturgia, ou dramaturgia de processo, etc e tais, está vetada. Enfim... Estou buscando alguma mobilidade dentro das regras (da disciplina Direção VI).

Para esta disciplina, tinha de antemão o desejo de trabalhar com um texto clássico. Por clássico entendo unicamente um texto já maculado pela história. Um texto fortalecido por esta, um texto com histórico, pintado pelo tempo, pelas tentativas, maculado por milhares de mãos que já o tentaram, que o especularam, que nele vieram a se perder. Mais do que isso, queria um clássico mas para com ele realizar uma coisa de duas opções que via como possíveis: ou eu pego um clássico para profaná-lo. Ou eu pego um clássico para ser por ele estuprado.

Sim, não quero ser estuprado. Quero profanar o clássico para valorizá-lo. Quero com ESPERANDO GODOT descobrir o tamanho da nossa espera atual. Será ela ainda a mesma? O que ela será? Como se dá, como se opera, como hoje conseguimos com a espera lidar? Muitas questões, muito a fazer. Sustento ainda e sempre, talvez, a percepção do sincero.

Para finalizar esta primeira abordagem, lanço a minha maior insatisfação. Lanço a questão que me move rumo a(o) Godot: você ainda aguentaria esperar por Godot? Eu não aguento mais. Godot precisa chegar. E já na primeira cena.

2 comentários:

Flávia Naves disse...

hahaha e que chegue Godot! Agora só o que faço é me atentar para essa questão da espera...impressionante como qualquer espera hoje em dia é massacrante, quase desrespeitosa. pensei também no título poderia ser: Godot esperando Godot. rsrs

KELLY~ disse...

esperamos por Godot todos os dias.
ora aguentamos, ora não.
definitivamente a espera nos tempos atuais é outra. outra medida.
li alguns posts aleatórios.
pensei muito no Bauman. na questão da modernidade líquida etc. preciso pensar melhor a relação, mas vinha muito o Bauman na minha cabeça.
hj td é fluído. intangível. velozzz.
mas tb acho que nunca como antes esperamos tanto por Godot. chega a doer. é uma ansiedade que entope o peito de angústia.
hoje em dia não crescemos aprendendo a esperar. tudoaomesmotempoagora.
e a tal espera acaba sendo uma escravidão<<<