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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

QUINTA TENTATIVA: Aonde está nosso papel nisso tudo?

Creio que terei que responder essa pergunta para o resto da minha vida. Mas, se tratando de tentativas, eis aqui uma tentativa de resposta, de possibilidades, de especulações. Pensar aonde está o nosso papel nisso tudo me leva diretamente para reflexões tais como: por que eu faço arte? Qual o papel da arte? E o do artista? Por que é essencial? É essencial? Ou apenas uma atividade intrinsicamente egóica, que por sorte, além de validar os artistas como uma raça especial, consegue também massagear o âmago daqueles poucos que utilizam a arte como tábua de salvação, ou seja, que fingem uma comoção ou afetação para que através desta reação forçada possam se destacar da massa, e assim como os artistas que estão ali, possam também se sentir especiais? Já que entro em cena com a descrição irritante e execrável de que “facilmente se distancia para acariciar o próprio umbigo” pretendi aqui buscar todas as verdades presentes nesta óbvia mentira. Então, aonde está o nosso papel nisso tudo? E aonde está o meu papel? Não tenho a menor ideia. O que me encanta em Miranda (e esta é uma visão externa) é que amo e odeio na mesma medida, para mim é uma peça tão genial, quanto tosca, é um zombar com a classe intelectual, é fazer baboseira com conceito. Talvez o nosso papel esteja em fazer com que Beckett se revire na tumba, não sei se de alegria ou felicidade. Talvez esteja apenas na sala de ensaio, com o único propósito de montar uma peça, mais uma. Talvez esteja na lógica da criança, para brincar de construir e desconstruir nossos pedestais. Talvez esteja na tentativa de nunca nos perdermos, de nunca sermos devorados pela obra, pelos personagens. Talvez esteja exatamente no aqui e agora, na repetição da mesma frase, 300 vezes, sem permitir que o sentido vire música, e ouvindo sempre a nossa voz. E o meu papel? Por enquanto não está em lugar nenhum, é só ideia. Por enquanto sou apenas um ruído, um espectro, uma admiradora, uma tiete apaixonada. Talvez seja exatamente esse o meu lugar.

Um comentário:

Adassa Martins disse...

"Talvez esteja exatamente no aqui e agora, na repetição da mesma frase, 300 vezes, sem permitir que o sentido vire música,"

acabei de escrever sobre sermos inesgotáveis, e essa sensação da sua fala vem como uma luva no que eu sinto. é tão incrível ver como o seu espectro já bate, e tanto, com todo o ruído que nós somos, uma em cada uma e cada uma em todas, em conceito, em reflexão, no improviso, na combinação desconjuntada,
obrigada, nat!