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sábado, 5 de maio de 2012

Com quais ferramentas criar?

Reflexões na Manhã Seguinte ao Ensaio de 04 de Maio de 2012
Aqui estou eu dentro de outro táxi indo rumo ao ensaio desta manhã de sábado. Faz um sol delicado sobre o Rio de Janeiro e meus olhos seguem filtrados por um óculos escuro, mirando esta tela, Miranda.
Eu pensando sobre o ensaio de ontem, aquele no qual começamos de fato a erguer nosso novo espetáculo. Há uma clareza irrevogável: aquilo criado pelas atrizes é desde já inscrição da cena. Quero dizer: as proposições serão levadas a cabo até o fim. Eu vou tentar, como dramaturgo-diretor, não abandonar nada, mas justamente escavar o fundo lógico inconsciente.
Miranda me deixa abusado a ponto de me fazer esperançoso e delicado.
Quero dizer: com quais ferramentas elas - as atrizes - criarão nossas cenas? Há algumas que listo agora: a) a descrição das personagens, a dramaturgia posta num papel; b) o jogo relacional entre as atrizes, acentuado e assegurado pela prática livre com viewpoints; c) os jogos criados por nós e que sustentam a encenação (3:1 \ fala perdida \ dicotônico \ corifei \ PdD)... Quero dizer: são quatro atrizes com pontos de vista muito distintos e é dessa diferença que nasce uma vida/espetáculo.
O movimento agora é acompanhar a montagem dos blocos e realizar composições - criadas pelas atrizes - para cada um dos blocos. Eu, diretor, sigo recebendo e me colocando em contato com tais materiais. Agora ainda é preciso não saber, dar férias às vontades e deixar seus corpos ganharem ou não as apostas apostadas. A cada dia se chega mais perto. Ou não. Não importa.
A gênese do contraditório - que é como nomeio o trabalho feito a partir do uso de composições - volta à Miranda, porém certamente de maneira diferenciada. Revisitada. Atualizada. O contraditório é hoje mais ficção do que problema maior em mãos. A contradição resta expressa no gesto, na saturação das convicções. Quero dizer: mais que ser contraditório, devemos agora buscar a certeza de nossas apostas, de nossos discursos, para a partir desse primeiro chão, fazer brotar a discordância, o paradoxo, o drama e a comédia.
Complexo? Nem é. Super fácil. Acredito que daqui a pouco seja possível deixar esse falatório ainda mais claro e útil. Ou não. Mas convenhamos, claro para quê? Claro para quem? São apenas palavras aqui reunidas. Reflexões que precisam ser expressadas para não correrem o risco de matar e/ou morrer. Apenas um sopro nesta manhã de sábado.
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