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sábado, 17 de março de 2012

Segunda Carta a Miranda

Divina Miranda,

Coube a mim sentar para lhe escrever. As meninas acabaram de sair, depois de uma longa reunião que terminou em íntimos marejados e olhos ultrajados. Mais uma vez, quando não tenho o que dizer, opto sempre por ser sincero. Então que fique claro: eu ainda não sei como fazer para você chegar. Ao mesmo tempo, é nessa espera que a sua ausência dinamita uma busca que não nos deixa morrer. E que nos faz ficar. Mas que também nos faz sofrer.

Paciência. Elas foram embora esgotadas. Você precisava ver. Quatro atrizes e um diretor. E o que nos une é essa tentativa de encenar “Esperando Godot”. Mas essa peça não faz mais sentido. Eu tento dizer que isso faz parte do processo, mas às vezes – como hoje – elas me olham e me provam via olhar que de fato não há nada nessa busca. Então a gente respira. E como estamos em eterna tentação, ousamos no segundo seguinte fazer do nada algo possível.

Ora, por que não? Se Godot não veio é porque talvez ele tenha morrido. E você, fará o mesmo conosco? Não precisa responder. É que a sua dúvida alimenta a impressão de que existimos. É isso. Queremos correr o risco de te alcançar ao mesmo tempo que correr do risco de alcançar alguma coisa, qualquer coisa. Nós queremos alcançar o correr do risco para reconhecer nele, ainda em movimento, que vazio é o que não falta, Miranda. Ao contrário de você.

Do seu,

Diogo Liberano

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