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segunda-feira, 12 de abril de 2010

A memória é uma ilha de edição ou Adassa no dia 09/04/10

OBJETIVA
Para começar a atriz, recolocou a cadeira no espaço de modo a destacá-la da cortina com nó.

Ela falou que a composição ainda não havia começado enquanto conferia algumas anotações em um caderno.

Por cima da cadeira estava um casaco de gola role cor vinho ou roxo. Não sei.

Adassa colocou o caderninho no chão e se aproximou do público fazendo gracinhas com cada um de nós.

Depois disso, ela pegou o caderno novamente e sentou na cadeira.

Colocou e tirou a blusa duas vezes até que na terceira deixou-se vestir- com a gola totalmente esticada. Vestiu-se e também vestiu a cadeira.

A atriz então fingiu ter alguns ataques psicofísicos provindos de impulsos estanques enquanto ao mesmo tempo empurrava a cadeira para trás com os pés.

Ela promoveu uma quebra nesta construção interpretando que estava tudo normal como se nada tivesse acontecido até ali.

Levantou-se da cadeira, conferiu o caderno e disse que tinha terminado.

SUBJETIVA

Uma atriz faz contato. De onde ela está, sem que eu precise me levantar, me abraça com seu olhar. Chama e abraça a todos de modos diferentes. Quando eu levanto para abraçar de novo (achando que tinha errado na primeira vez) com todo o corpo, me aproximo com a atração deste olhar e faço questão de levantar um vôo do chão até os braços dela.
Gosto da forma delicada com que Adassa escreve seu percurso no campo cênico. Ela faz.
Ela brinca e faz. Ela é delicada. Já falei que a acho delicada?
O casaco é amigo dela, ela tem intimidade com ele. Ela sente a dor e agonia, e é plácida. Ela sente? Ou indica que poderia sentir não fosse ela uma atriz fazendo cena?

O casaco dela quis vestir a cadeira. Olha! Ela está sufocada, ela está no limite. Ela conseguiu alguma coisa. O corpo dela salta, mas o casaco prendeu seu corpo na cadeira. A cadeira vibra no chão. Ela resolve tudo, porque afinal de contas é só parar, se levantar, sair da cadeira.

É só teatro gente.
No limite neutro entre a molecagem e a seriedade.
Ela delicada.


domingo, 11 de abril de 2010

DESCRIÇÃO DA COMPOSIÇÃO FEITA POR FABÍOLA NO DIA 09/04

Descrição 1
Fabíola espalha cartolinas e giz no chão do palco. Senta em cima da cartolina maior de cor bege, dispõe as outras cartolinas menores e de cor branca ao seu redor, do seu lado esquerdo uma das cartolinas apresenta um desenho com homenzinhos feitos de traços e círculos, do seu lado direito outros homenzinhos estão desenhados, em cima da cartolina que se encontra na sua frente ela coloca o livro "Esperando Godot" de Samuel Beckett. Olha para a platéia e começa a falar sobre questões relacionadas ao livro, principalmente sobre a história de quatro evangelistas. Enquanto discorre sobre a história, Fabíola desenha homenzinhos na cartolina em branco repetindo o mesmo desenho que se encontra do seu lado esquerdo, ela circula um dos homenzinhos de forma sistemática enquanto fala. Em um dado momento ela para de circular o homenzinho e passa a desenhar outros homenzinhos em outra cartolina e dessa vez um dos homenzinhos é maior que os outros e possui uma coroa em sua cabeça. Ao término do desenho Fabíola se levanta e diz que a composição havia acabado.

Descrição 2
Fabíola começou sua composição espalhando pelo espaço elementos inusitados pra mim: cartolinas e giz. Achei o fato curioso, tentava entender como aqueles elementos haviam entrado na sua vida, foi quando me lembrei que ela está cursando faculdade de moda. Ok. começo a prestar atenção no que ela está dizendo, é sobre a agonia de esperar Godot sabendo que Godot não vai chegar, ela folheia o livro de Beckett enquanto fala angustiosamente. larga o livro e começa a explicar pra gente a história que Vladmir conta para Estragon sobre os quatro evangelistas. Acho aquilo maravilhoso pois apezar de ter lido o trecho várias vezes ainda não conseguia entender a história. Ela então desenha com giz na cartolina em branco os quatro evangelistas, os desenhos são engraçados e ao mesmo tempo bem feitos, os homenzinhos tem cabeça redonda e parecem vestir uma túnica. Ela circula muitas vezes um dos homenzinhos para dizer alguma coisa sobre ele e nesse momento percebo um outro desenho exatamente igual ao que ela está fazendo na cartolina do seu lado esquerdo. Os dois desenhos são praticamente iguais. ela desenha outros homenzinhos e dessa vez um deles é maior e possui uma coroa, ele é Jesus Cristo, percebo um outro desenho idêntico ao que está sendo feito. Ela explica muitas vezes a história dos evangelistas desenhando os homenzinhos e circulando alguns deles com ênfase e dedicação, com ênfase e dedicação.
A composição acaba e eu ainda não entendi a história.

O paradoxo da inação por meio do movimento

"Discutir a falta de ação e as perspectivas destes personagens, por meio do movimento, pode parecer, num primeiro momento, paradoxal.
Como dançar a imobilidade? O texto sugere movimento – ainda que do tempo, que passa involuntariamente, sem que nada de efetivo aconteça. Ação pela ansiedade e espera.
A Cia. opta por exacerbar possíveis motivações interiores daqueles personagens. Ora como gesto, ora construindo um ambiente, por vezes descritivo, cômico ou violento, o movimento passa a ser, então, a base dessa expressão." Fletir Cia. de dança
Programa: http://www.fpkf.com.br/programa.pdf
Vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=PqHwwhHVFww&feature=channel
http://www.youtube.com/watch?v=Rdry6ls4-rA&feature=channel