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quarta-feira, 14 de abril de 2010

Performance.Ensaio #6

queridos da equipe de godot,

amanhã, quarta, no período que vai de 13h às 17h (nosso horário de ensaio), estaremos por botafogo realizando uma performance.

as quatro atrizes estarão cada uma em um lugar específico (portão de entrada do pinel na ufrj * no ponto de ônibus oposto ao rio sul * em frente ao cinema estação na voluntários * e em frente à policlínica) segurando uma placa na qual estará escrito ESTOU ESPERANDO GODOT.

às 13h, eu estarei na Lapa, onde sortearei uma ordem para ir buscá-las. e vou andando da Lapa até a primeira, depois até a segunda, até que consiga me encontrar com todas. enquanto isso, elas ficarão esperando, com a placa e só podendo reagir a algo ou alguém a partir do original do Beckett (elas estarão com o livro em mãos).

é isso.

se por acaso passarem por elas ou quiserem ver isso, estão avisados.

[…]

bjos em todos,

diogo,,

Ensaio #4

Teatro Gláucio Gill – 09/04/2010 – 13h às 17h.
Diogo, Carolline, Flávia, Adassa e Fabíola.

Raia durante os primeiros 30 minutos iniciais. Foi pedido às atrizes que atentassem para o fato de este não ser um jogo automático, que justamente é um catalisador da percepção, da escuta e da abertura individual e, inevitavelmente, coletiva. Incrível como este foi o melhor jogo até agora. Elas se ouviram mesmo. Fiquei me perguntando: e quando as raias tombarem, fisicamente, eu digo, quando lançarmos as quatro num espaço vazio sem limites muito precisos? Vai ser ótimo. Mas é preciso se gastar no embate com os limites. Ada sugere um movimento repulsa, elas sugerem a prática na raia de um tema, do qual toda a raia passa a girar em torno, no caso “a história dos quatro evangelistas”. A proporção 4:0 mostra sua força. esboçam comentários sobre o próprio jogo (meta), do tipo “eu acho instável”, “eu erro, tu erras, ele erra…”. A Carolle dá o seu ponto de vista sobre Estragon, algo como “Bonitinho o Estragon. Ele gostava disso e daquilo, falava das estrelas, por isso ele era poeta”. Cantam. Flávia mexe com a duração. PdD em duplas. 3 PdD:1 (isso é muito forte quando acontece).

Composições. Havia exposto algumas ferramentas usadas nas composições. As meninas apresentaram composições individuais. FLÁVIA. “Diogo, e se a gente se arrependesse?”. A luminária fria. O corte sendo feito pela luz. Pés, peito. O jogo com o óbvio, o instituído, o lugar–comum: “Você lembra do Mário?”. FABÍOLA.  Papéis rabiscados, giz de cera, a história dos dois ladrões tornada legível. Tudo a partir do Godot que não chega. ADASSA. Cadeira, cenário, blusa, figurino. Consulta o caderno. Abraça a platéia. A recebe? Pouca fala. CAROLLINE. Sapatos (ações do Beckett, tirar e colocar). “Não se pode descuidar dos detalhes”. Incômodo em relação a nós que ali estávamos a mirá-la. COMPOSIÇÃO COLETIVA. Tempo e novas indicações para unirem as composições individuais. Saí do palco, tomei um café, voltei e elas me pediram mais cinco minutos. Ouvi uma música e quando abri a porta de volta, tudo estava escuro e só uma luz no centro do palco iluminava um par de tênis (seriam sapatos?). Achei graça (pensei: será que elas estavam esperando eu entrar?). Estavam. Passagens da peça. Tentativas entre as quatro de realizar a cena, tentativas reconhecidas como erro, por isso voltam. Os personagens correndo de uma para a outra. Ou porque agonizam pedindo corpo ou porque bailam gritando a liberdade. A parte dos ladrões foi o embrião mais forte de uma possvel cena, Foi um sofrimento que todas entendessem aquilo que uma apenas tentava e conseguia (ou não), explicar.

Texto. Roubar texto e personagens. Leituras seguidas de um mesmo trecho. Leituras rápidas, muito rápidas, sem possibilidade de pausa.

Impro. Sorteei entre elas quatro papéis. Dois com a inscrição META, dois com TEATRO. Formaram duplas. Foi isso: uma dupla usou o trecho estudado anteriormente como mote para construção da representação de GODOT (Flávia e Carolle). E a outra (Ada e Fabíola) exploraram o diálogo entre as personagens como fosse um diálogo entre duas atrizes – elas – na sala de ensaio. Ao término do ensaio, conversamos bastante e vimos alguns pontos de interesse/desinteresse. Não sei fazer esse teatro representacional. Mas é preciso investir nessa loucura, não? Estamos investindo. Para depois, pular fora.

 

QUAL É A AÇÃO QUE MOVE ESTA MONTAGEM? O JOGO?

FABÍOLA.CAROLLE.FLÁVIA.ADA.

Antes da foto, eu havia perguntado a elas qual era o entusiasmo à possível encenação de ESPERANDO GODOT seguindo o molde das personagens, suas ações escritas, seguindo a representação “clássica”… Deu nisso.

terça-feira, 13 de abril de 2010

WeTudo – DesEsperando Godot


"WeTudo – DesEsperando Godot, estabelece um diálogo com os personagens de Beckett, a partir de uma dramaturgia que joga os atores/personagens numa condição oposta à inação e à impotência; estão em constante movimento e podem ir para todos os lados. Assim, as grandes questões de Beckett são revistas e expandidas pelos paradigmas do homem contemporâneo.
Em Esperando Godot dois homens, juntos à uma árvore, uma raiz, esperam indefinidamente pela chegada de Godot. WeTudo se inicia exatamente no momento em que eles desistem da espera. Partir significa escolher, determinar, procurar um caminho, tomar a vida nas mãos, abandonar a raiz e buscar o rizoma, as ligações infinitas, à procura de respostas que esperavam eternamente serem respondidas por Godot. Entram nos fluxos, perdidos, desencontrados, mas na potência de atuar. Tudo a fazer."


Site: http://www.eceinfo.com.br/wetudo/home.php
Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=CxL6m5b9G-U